terça-feira, 20 de agosto de 2013

Benfica TV: uma jogada de mestre, ou um tiro no escuro?

Pergunta:
Como é que se rentabiliza um "investimento" superior a 30 milhões de euros (valor pago pelo licenciamento dos campeonatos + perda da receita total da SportTV), com uma mensalidade baixa (9,90€/mês), e com um número potencial de subscritores inferiores ao da Sport TV?

Aqui ficam os números:

22,5 M por ano, só pelos jogos em casa para o campeonato, que deixam de entrar nos cofres da Luz:
Benfica rejeita proposta de 22,2 milhões por época da Olivedesportos

+ 7,8 M pela Liga Inglesa:
Liga inglesa terá custado 7,8 milhões ao Benfica

+ uns trocos pela Liga Brasileira: 
Liga brasileira na Benfica TV

= +/- 30,5 Milhões de euros
É este o valor que o Benfica tem que angariar, vendendo "rifas de 10 euros por mês" aos seus adeptos e a mais alguns clientes... Depois há outro problema: quando a Parmalat patrocinou o Benfica, havia quem se recusava a comprar esses produtos. Tal como hoje há quem não beba determinada marca de cerveja...

Formulação:
Mesmo que consigam 100 mil subscritores (em média), a 10 euros por mês, isto daria um milhão de euros por mês, ou seja, 12 milhões por época…
150 mil subscritores, seriam 15 M/ano...
200 mil, 20M/ano... considerando que os clientes permaneceriam 12 meses fidelizados... isto significaria apenas METADE DO QUE A SPORTTV OFERECIA apenas pelos jogos do Benfica em casa para o campeonato.

Quanto ao modelo da SportTV, é o fim (esperado) do monopólio, o que poderia ser uma boa notícia para os espectadores, mas que significa também o fim dum certo tipo de negócio, e o início da dispersão: ninguém vai querer subscrever 2 ou 3 canais Premium e mesmo assim não poder ver todos os jogos do campeonato. Este canal chegou a ter 500 mil subscritores, mas esse número deve estar a extinguir-se (até pela dispersão anunciada), e não será o novo canal Live que irá inverter essa tendência.

O modelo do “pay-per-view” em Portugal está muito limitado (não há escala), e vai na realidade contribuir ainda mais para o esmagar das receitas, sendo que os pequenos é que irão sofrer. A UEFA começou a negociar os direitos de televisão das competições europeias como um bolo, e isso é bom para os mais pequenos. Em Portugal, com o fim do monopólio da SportTv, vai acabar o dinheiro para esses, porque “ninguém” vai querer pagar para ver um Estoril - Paços de Ferreira, ou um Arouca - Gil Vicente...

Finalmente, sendo um canal dum clube (e pago), há empresas que não podem/querem fazer lá publicidade. Curiosamente, tanto o Porto como o Benfica optaram por modelos diferentes… e mais uma vez foram disruptivos. Existia já um modelo de "Canal de Clube", como o do Barça e o do Real Madrid, mas esses não tinham como objetivo gerar receitas. Em breve iremos analisar aqui o modelo de negócio do Porto Canal.

Conclusão:
Iremos acompanhar com muita expectativa os desenvolvimentos nesta área, por todas as razões e mais algumas, mas à partida a jogada do Benfica foi muito arriscada, porque tentar gerar receitas com direitos de TV, neste contexto de crise atual, é muito complicado: a RTP, que é um canal aberto, teve uma queda de 56% em receitas de publicidade só este ano….

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Os novos donos milionários do futebol

Paris Saint-Germain (França)
Dono: Qatar Investment Authority (Sheiq Hamad al Thani)
Investimento esta época: 89 M.€

Manchester City (Inglaterra)
Dono: Abu Dhabi United Group
Investimento esta época: 92,535 M.€

Anzhi (Rússia)
Dono: Suleyman Kerimov
Investimento esta época: 61,7 M.€

Málaga (Espanha)
Dono: Abdullah al Thani
Investimento esta época: 58 M.€

Juventus (Itália)
Dono: Exor, s.p.a. (Família Agnelli)
Investimento esta época: 85,75 M.€

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Novos pressupostos financeiros da Liga

O que a Liga exige aos clubes (época 2011/2012):
A Liga divulgou nesta quinta-feira os requisitos necessários à participação nos campeonatos profissionais da próxima época. O incumprimento destes pode, em alguns casos, impedir a participação ou mesmo levar à despromoção dos clubes. As dívidas ao Fisco ou Segurança Social, por outro lado, têm como pena a proibição de inscrição de jogadores. Os clubes têm até 16 de Maio para apresentar os
pressupostos financeiros necessários:
- Nos orçamento das SAD, ou departamentos de futebol profissional, dos clubes que não tenham sociedades desportivas, as receitas ordinárias devem cobrir as despesas ordinárias;
- O cálculo da massa salarial de jogadores e treinadores não pode ter por base valores inferiores aos fixados em contrato colectivo;
- A massa salarial anual não pode ultrapassar 70 por cento do valor das despesas ordinárias consignadas no orçamento;
- Exigência da apresentação de uma declaração a atestar a inexistência de dívidas salariais a jogadores e treinadores na época 2010/11 (montantes vencidos e não pagos até 5 de Maio de 2011). Exceptuam-se as dívidas «que tenham sido objecto de acordo escrito de regularização com o reconhecimento presencial da assinatura do jogador ou cuja existência tenha sido objecto de litígio submetido a uma entidade competente.» Essa declaração, no entanto, só abrange jogadores que constavam na lista do plantel 2010/11 entregue à Liga, com contrato até 16 de Maio de 2011;
- Apresentação de uma garantia bancária no montante mínimo de 10 por cento do total de custos constantes no orçamento;
- Obrigatoriedade de apresentação de certidões «comprovativas da situação contributiva regularizada, perante a Administração Fiscal e a Segurança Social, por referência às dívidas vencidas até 30 Abril de 2011»;
O documento salienta que «os eventuais incumprimentos constituem fundamento de impedimento de participação, desclassificação para a divisão inferior, perda do direito de promoção ou de exclusão das competições profissionais».
No caso das dívidas à administração fiscal ou Segurança Social, aplica-se o que está previsto no artº 41 do Regulamento de Competições. Ou seja, os clubes que não fizerem prova da inexistência dessas dívidas «ficam automaticamente impedidos de registar contratos de trabalho desportivo ou de formação, bem como de utilizar jogadores com contratos já registados em épocas anteriores».

quarta-feira, 16 de março de 2011

FC Porto renova patrocínio com PT

O F.C. Porto anunciou, em comunicado enviado para a Comissão de Mercado de Valores Mobiliários, a renovação do contrato de patrocínio da Portugal Telecom até 2015. Desta forma, os dragões irão arrecadar, no mínimo, 3,65 milhões de euros por temporada. O vínculo actual terminava em Junho de 2011.

«A Futebol Clube do Porto - Futebol, SAD, nos termos do artigo 248.º nº.1 do Código dos Valores Mobiliários, vem informar o mercado que celebrou um contrato de patrocínio com a Portugal Telecom, SGPS, SA, que vigorará até 30 de junho de 2015. Como contrapartida deste acordo, a Futebol Clube do Porto - Futebol, SAD garante proveitos globais mínimos de 14,6 milhões de euros», anunciou a SAD do clube azul e branco.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Números do candidato

Godinho Lopes, candidato às próximas eleições do Sporting, comentou a situação financeira atual do Sporting, revelando o seu conhecimento das dificuldades financeiras que o clube tem no futuro imediato.
«Para acabar esta época faltam 13 milhões de euros. Já foram utilizados antecipadamente da época seguinte 30 milhões de euros. Há 17 milhões de diferença na próxima época entre o orçamento de vendas e
o orçamento de custos previsível, portanto estamos a falar de 60 milhões de euros. Eu não era capaz de vir para este projeto sem vir com esses 60 milhões para organizar o passado e com cerca de 40 milhões para poder olhar para o futuro com um projeto vencedor», referiu o candidato à presidência dos leões, cujas eleições se realizam no dia 26 de Março.
Contando com Nobre Guedes, principal responsável da reestruturação financeira do clube, na sua equipa diretiva, Godinho Lopes frisou ter as «condições necessárias» para fazer face a este desafio, embora não
esclareça ainda a sua solução: «Se achasse que não tinha as condições necessárias para fazer face ao futuro de forma sustentada não era candidato.»
O engenheiro que ficou ligado à construção do estádio e da Academia voltou a vincar os «295 milhões de passivo» que o Sporting terá aproximadamente «no final da época», mas reitera que o problema dos leões não é ausência de dinheiro para o futebol. «O que tem havido no Sporting não é falta de dinheiro, o que tem havido é menos habilidade ou jeito para encontrar soluções ligadas a um projeto desportivo vencedor», sublinhou, em linha com as críticas feitas por José Maria Ricciardi à liderança de José Eduardo Bettencourt nesta segunda-feira.
O candidato à presidência do Sporting garantiu ainda ter cerca de 100 milhões para encarar da melhor forma o estado deficitário do clube, embora não se queira centrar no aspeto financeiro nesta disputa eleitoral. «Não gostava que a campanha se fizesse em torno de números.
Quis alertar para a necessidade das candidaturas serem credíveis em torno de um conhecimento efetivo do que o Sporting tem», concluiu.

terça-feira, 1 de março de 2011

Relatório de Contas - Benfica SAD

Com os dinheiros da "Champions" e os 9,7 milhões pagos por Chelsea e Fulham pelos internacionais do Brasil e da Argélia, a Benfica SAD consegue ter no primeiro semestre da época (julho a dezembro de 2010)
lucros de 528 mil euros, melhorando acentuadamente face ao mesmo período de há um ano, em que o prejuízo chegou aos 13,8 milhões de euros.
No relatório e contas do semestre, agora divulgado, a SAD encarnada adverte no entanto que a comparabilidade está afetada "nomeadamente pela aquisição das ações da Benfica Estádio".
"Em termos de demonstração de resultados consolida, o período homólogo não inclui a operação do Benfica Estádio", a qual já está na contas do primeiro semestre de 2010/2011.
A participação do Benfica na Liga dos Campeões, que gerou receitas de 10,1 milhões de euros, e as vendas dos passes de Ramires e Halliche para Inglaterra equilibraram as contas semestrais da Benfica SAD,relativas à primeira metade da época.
A SAD do Benfica acrescenta, no relatório, estimar que se a aquisição tivesse sido feita em julho de 2009, os proveitos operacionais consolidados no semestre fechado em dezembro de 2009 seriam de 37,2 milhões de euros, com prejuízos de 16,2 milhões.
A nível operacional a SAD benfiquista fala também de "uma melhoria considerável" no semestre, com um resultado positivo de 7 milhões, quando era negativo em 11 milhões há um ano.
"Desta forma pode-se constatar que os resultados consolidados e os resultados individuais apresentaram evoluções idênticas, o que permite concluir que a inclusão dos resultados da Benfica Estádio apenas no 1.º semestre 2010/2011, apesar de ter impacto em termos de volume de proveitos e custos não influencia de forma significativa os resultados do período corrente", adianta ainda o relatório.
No campo dos proveitos, destaque pela negativa para a evolução das receitas de bilheteira, que caíram 32,3 por cento, para pouco menos de 4 milhões de euros. Uma tendência explicada pelo decréscimo na venda dos "red pass" -- lugares cativos para os jogos da Liga portuguesa -, pela retração do consumo e pelos maus resultados do início da época.

Relatório de Contas - Sporting SAD

A Sporting Clube de Portugal, Futebol SAD comunicou hoje à CMVM a evolução da sua atividade no primeiro semestre da época 2010/11, anunciado um lucro de cerca de 2,5 milhões de euros, contra um
prejuízo de quase 7 milhões no exercício anterior.
O resultado líquido é positivo, segundo a SAD, graças aos ''proveitos com transações de passes'' (nomeadamente João Moutinho, Miguel Veloso e Tonel), registando-se assim uma melhoria dos resultados consolidados em cerca de 9,5 milhões de euros.
O comunicado explica que o semestre foi marcado pelo início das ''operações financeiras e societárias a implementar no quadro da reestruturação financeira aprovada'', mas também, e de forma negativa, pelos resultados desportivos ''francamente inferiores aos que seriam esperados''.
Os proveitos relativos à participação na Liga dos Campeões, apenas no play-off, desceram 1,8 milhões de euros, parcialmente compensados com o acréscimo noutras rubricas.
A SAD destaca o crescimento dos ''custos com pessoal'' e ''amortização com passes de jogadores'', que refletirá o ''esforço de investimento na equipa principal''.
O comunicado realça, por outro lado, que a situação patrimonial em 31 de dezembro 2010 ainda não reflete os ''impactos positivos resultantes da reestruturação financeira'' e que o passivo consolidado sobe 46 milhões de euros sobretudo por causa da operação ''Trespasse da Academia'', a financiar através do aumento de capital, de financiamentos adicionais obtidos e de rendimentos a reconhecer relativos a direitos televisivos.
A SAD dá ainda conta de alterações relevantes como a contratação de José Couceiro para diretor geral do futebol, a 1 de janeiro, do pedido de demissão do presidente da SAD, José Eduardo Bettencourt, a 15 de janeiro, e do acordo de rescisão com o treinador Paulo Sérgio, com a data de hoje, passando Couceiro a acumular essas funções.