Pergunta:
Como é que se rentabiliza um "investimento" superior a 30 milhões de euros (valor pago pelo licenciamento dos campeonatos + perda da receita total da SportTV), com uma mensalidade baixa (9,90€/mês), e com um número potencial de subscritores inferiores ao da Sport TV?
Aqui ficam os números:
22,5 M por ano, só pelos jogos em casa para o campeonato, que deixam de entrar nos cofres da Luz:
Benfica rejeita proposta de 22,2 milhões por época da Olivedesportos
+
7,8 M pela Liga Inglesa:
Liga inglesa terá custado 7,8 milhões ao Benfica
+
uns trocos pela Liga Brasileira:
Liga brasileira na Benfica TV
= +/- 30,5 Milhões de euros
É este o valor que o Benfica tem que angariar, vendendo "rifas de 10 euros por mês" aos seus adeptos e a mais alguns clientes... Depois há outro problema: quando a Parmalat patrocinou o Benfica, havia quem se recusava a comprar esses produtos. Tal como hoje há quem não beba determinada marca de cerveja...
Formulação:
Mesmo que consigam 100 mil subscritores (em média), a 10 euros por mês, isto daria um milhão de euros por mês, ou seja, 12 milhões por época…
150 mil subscritores, seriam 15 M/ano...
200 mil, 20M/ano... considerando que os clientes permaneceriam 12 meses fidelizados... isto significaria apenas METADE DO QUE A SPORTTV OFERECIA apenas pelos jogos do Benfica em casa para o campeonato.
Quanto ao modelo da SportTV, é o fim (esperado) do monopólio, o que poderia ser uma boa notícia para os espectadores, mas que significa também o fim dum certo tipo de negócio, e o início da dispersão: ninguém vai querer subscrever 2 ou 3 canais Premium e mesmo assim não poder ver todos os jogos do campeonato. Este canal chegou a ter 500 mil subscritores, mas esse número deve estar a extinguir-se (até pela dispersão anunciada), e não será o novo canal Live que irá inverter essa tendência.
O modelo do “pay-per-view” em Portugal está muito limitado (não há escala), e vai na realidade contribuir ainda mais para o esmagar das receitas, sendo que os pequenos é que irão sofrer. A UEFA começou a negociar os direitos de televisão das competições europeias como um bolo, e isso é bom para os mais pequenos. Em Portugal, com o fim do monopólio da SportTv, vai acabar o dinheiro para esses, porque “ninguém” vai querer pagar para ver um Estoril - Paços de Ferreira, ou um Arouca - Gil Vicente...
Finalmente, sendo um canal dum clube (e pago), há empresas que não podem/querem fazer lá publicidade. Curiosamente, tanto o Porto como o Benfica optaram por modelos diferentes… e mais uma vez foram disruptivos. Existia já um modelo de "Canal de Clube", como o do Barça e o do Real Madrid, mas esses não tinham como objetivo gerar receitas. Em breve iremos analisar aqui o modelo de negócio do Porto Canal.
Conclusão:
Iremos acompanhar com muita expectativa os desenvolvimentos nesta área, por todas as razões e mais algumas, mas à partida a jogada do Benfica foi muito arriscada, porque tentar gerar receitas com direitos de TV, neste contexto de crise atual, é muito complicado: a RTP, que é um canal aberto, teve uma queda de 56% em receitas de publicidade só este ano….
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